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A VISƃO DE UMA BRASILEIRA SOBRE A SUƍƇA

  • Foto do escritor: Leonardo S. Paduan
    Leonardo S. Paduan
  • 15 de mai. de 2018
  • 6 min de leitura

Atualizado: 13 de fev. de 2023


**Sugestão: Playlist no Spotify da Suíça

A primeiro confronto da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2018 serÔ contra a Suíça. Vamos conhecer um pouco mais do nosso primeiro adversÔrio no Mundial? A Suíça é um pequeno país situado no centro da Europa com uma grande diversidade cultural. No país existem quatro idiomas diferentes, sendo três oficias: o alemão (maioria), o francês, o italiano. O outro idioma é o romanche. A Suíça é rica em belas paisagens com lagos e montanhas com neve. Os alpes suíços são marcas registrada do país, assim como o chocolate e os relógios.


#Pracegover: Foto. Ao fundo montanhas com neve, em primeiro plano um lago, nas margens vegetação verde rasteira. Com uma marca d'Ôgua na foto inteira com a bandeira da Suiça. Bandeira vermelha com uma cruz branca no centro.

A SUƍƇA DA PATRICIA

Vamos conhecer um pouco mais do paĆ­s, por meio do olhar de uma brasileira: Patricia Almeida, funcionĆ”ria do Itamaraty jĆ” mora hĆ” 4 anos na SuƭƧa. A brasileira Ć© jornalista, mestranda em Estudos da DeficiĆŖncia pela City University of New York, criadora da agĆŖncia de notĆ­cias Inclusive – InclusĆ£o e Cidadania, da Gadim (Global Alliance for Disability in Media and Entertainment), Gadim Brasil (AlianƧa para a InclusĆ£o de Pessoas com DeficiĆŖncia na MĆ­dia) e membro do ODIMƍDIA (Observatório da Diversidade na MĆ­dia). "JĆ” estou na SuƭƧa hĆ” mais de 4 anos, trabalho no consulado brasileiro no paĆ­s. Devo ficar mais um ano e voltar para BrasĆ­lia", contou.


Patricia Almeida

#Pracegover: Em primeiro plano no centro da foto rosto de uma mulher (Patricia), com capecete de bicicleta e óculos escuros. AtrÔs dela um campo de girassois.

CIDADES:

Patricia mora em Genebra. De acordo com ela a cidade é bastante pacata e tem uma ótima qualidade de vida. "(Genebra) é uma cidade média, com cerca de 200 mil habitantes, mas onde hÔ tudo. Gosto da praticidade, o transporte que funciona e sem dúvida a tranquilidade. Raramente hÔ problemas de violência. A vida aqui é sem stress. Os suíços, em geral, são tranquilos, não chegam a ser efusivos, tampouco costumam ser hostis", comenta.", destacou.

Genebra é considerada a "Capital da Paz" por ser a cidade sede do Conselho de Direitos da ONU, OMS - Organização Mundial da Saúde, OIT, Organização Internacional do Trabalho, OMC - Organização Mundial do Comércio e onde estÔ a Cruz Vermelha. Estas organizações fazem com que a cidade seja bastante cosmopolita. "Genebra é uma cidade peculiar, em que 40% da população é estrangeira e hÔ uma forte imigração portuguesa, portanto a gente fala mais português do que inglês na rua", afirmou Patricia.


#Pracegover: Foto. Genebra. No fundo algumas montanhas. Em primeiro plano pedaço de chão cheio de neve, na frente de um rio com algumas pequenas embarcações.

Ao longo dos 4 anos morando no país, a brasileira visitou vÔrias cidades suíças. "O país é lindo em qualquer época do ano. Tem montanhas geladas e belos lagos. Tem um passeio lindo que é o expresso glacial, um trem com teto panorâmico que atravessa os Alpes. Minhas cidades preferidas foram Zurique, Lucerna, Gruyere, Friburgo, Gstaad, Zermat e St. Moritz. O transporte é acessível, especialmente os trens. Contudo, tudo é muito caro" ressaltou.

Zurique: Localizada ao norte da SuƭƧa, fica próxima a fronteira com a Alemanha. Ɖ a maior cidade do paĆ­s com cerca de 400 mil habitantes. Na cidade o idioma Ć© o alemĆ£o. Zurique possui bons museus e parques para conhecer. AlĆ©m de passeios de barco pelo lago e rio que banham a cidade.


Zurique

#Pracegover: Foto de Zurique. Foto de um rio. Na margem da frente cheio de prƩdios pequenos de 3 a 5 andares.

Lucerna: Ɖ uma pequena cidade com menos de 100 mil habitantes. Ɖ considerada uma das mais belas cidades da SuƭƧa. Um dos pontos turĆ­sticos mais famosos da cidade Ć© uma ponte de madeira que leva atĆ© uma torre no meio da Ć”gua.


Ponte em Lucerna

#Pracegover: Foto. Ponte de madeira. Na borda da ponte vƔrias jarros com flores. Algumas pessoas em cima da ponte. abaixo da ponte rio.

ESTRUTURA TURƍSTICA

A estrutura turĆ­stica recebeu elogios da brasileira. "As coisas nĆ£o sĆ£o luxuosas – Ć© um povo protestante que nĆ£o tem interesse em ostentar. Mas tudo funciona, Ć© limpo e confortĆ”vel. As informaƧƵes estĆ£o sempre nas trĆŖs lĆ­nguas oficiais – francĆŖs, alemĆ£o e italiano. AlĆ©m destas, existe uma quarta lĆ­ngua na SuƭƧa, o Romanche. Para usar o transporte pĆŗblico e trens vocĆŖ pode baixar o aplicativo no celular. Quase todos os lugares aceitam cartĆ£o de crĆ©dito.

DICAS DA PATRICIA

  • Prepare-se para gastar – Um simples cafĆ© pode custar US$ 5,00. Um bilhete de transporte pĆŗblico vĆ”lido por uma hora custa US$ 7,00.

  • Ande na linha – Na SuƭƧa todo mundo estĆ” sempre de olho em vocĆŖ. "Esses dias a placa do meu carro caiu e fizeram uma denĆŗncia a polĆ­cia que veio perguntar por que meu carro estava sem placa", contou.

  • Tudo fecha cedo - "Um dos grandes problemas, especialmente para nós brasileiros, Ć© o horĆ”rio de abertura de restaurantes e comĆ©rcio, que fecham cedo. Como a mĆ£o de obra aqui Ć© carĆ­ssima (salĆ”rio minimo de US$ 20 a hora), nada funciona no domingo, onde o pagamento tem que ser em dobro. Aqui em Genebra tem uns trĆŖs ou quatro só que abrem", relata.

  • Comer: fondue de queijo e chocolate de Ovomaltine, o preferido da Patricia.


Fondue

#Pracegover: Foto de um panela de fondue

DIFERENƇAS BRASIL X SUƍƇA

Além de afirmar que os suíços são mais tranquilos e menos efusivos que os brasileiros, nossa entrevista destacou para o sistema político no país. Na Suíça o sistema é a democracia direta, ou seja, o eleitor tem a possibilidade de participar diretamente em decisões tomadas pelo Parlamento. "Eles têm referendo para tudo - para novas leis ou emendar antigas, para construção de pontes, estradas, para aprovação de orçamento. Qualquer cidadão suíço tem o direito de propor uma nova legislação com o lançamento de uma iniciativa. Normalmente as iniciativas vêm de grupos de interesse. Caso consigam recolher pelo menos 100.000 assinaturas em apoio à proposta, ela deve ser submetida a uma votação a nível nacional", explica.

EXPECTATIVA X REALIDADE

​ Apesar de ser um paĆ­s de "primeiro mundo", a brasileira apontou algumas falhas na SuƭƧa. "Minha grande decepção com a paĆ­s foi com relação ao sistema de educação, que, para minha surpresa, descobri que ainda segrega os estudantes com deficiĆŖncia. Apesar de ter internalizado a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com DeficiĆŖncia a inclusĆ£o escolar aqui ainda estĆ” longe de chegar", apontou.

Patricia explica que esta segregação causou grandes problemas, tendo em vista que sua filha mais nova, de 13 anos, tem sĆ­ndrome de Down. "Minha filha sempre estudou em escolas regulares (o Brasil e Estados Unidos, onde moramos anteriormente), foi recusada em todas as escolas aqui, pĆŗblicas, privadas, bilĆ­ngues ou nĆ£o. A maioria sem nem vĆŖ-la. O sistema pĆŗblico de saĆŗde deu como Ćŗnica opção uma escola especial, onde ela passou um ano e desaprendeu muito do que tinha adquirido antes. Digamos que ela ainda aprendeu a ā€œser mais deficienteā€ com os colegas e professoras que a tratavam como um bebĆŖ. Acabamos a tirando da escola. Agora ela tem aulas num centro terapĆŖutico particular, onde aprendeu a ler em francĆŖs. Para que tenha contato com outras crianƧas, a matriculamos em atividades como capoeira, ginĆ”stica olĆ­mpica e um centro de lazer comunitĆ”rio. Mas mesmo isso foi difĆ­cil de conseguir", relatou.


#Pracegover: Foto. Na esquerda mulher(PatrĆ­cia), na direita uma menina (sua filha Amanda).

Segundo a brasileira, essa questão da educação Suíça ocorre por conta de que as associações de pessoas com deficiência são mantidas com dinheiro do Estado. "As crianças com deficiência aos 18 anos passam a ser tuteladas pelo Estado. As famílias perdem o direito. Muitas vão morar em residências mas ficam longe de suas famílias e de sua comunidade. Não são maltratados e parecem ter uma vida confortÔvel. As crianças trabalham em oficinas protegidas, fazendo os mesmos serviços repetitivos ano atrÔs de ano, fazem passeios todos juntos de vez em quando. Todavia, é tudo muito limitado, sem possibilidade de escolha", informa.

Patricia ainda ressalta que todos os pais de pessoas com deficiĆŖncia que conheceu sĆ£o muito passivos com a situação. "Eles acham que o Estado estĆ” fazendo o melhor para seus filhos, quando inĆŗmeras pesquisas mostram que nĆ£o. O que aprendi Ć© que a inclusĆ£o nĆ£o Ć© só um problema de recursos. Dinheiro aqui nĆ£o falta. Ɖ muito mais uma questĆ£o de vontade polĆ­tica. E de pressĆ£o da sociedade para que ela aconteƧa", constatou.

QUESTƕES SOCIAIS

ACESSIBILIDADE: De acordo com a brasileira o país estÔ bastante avançado com relação a acessibilidade, porém algumas melhorias ainda precisam ser realizadas. "Os centros das cidades são bastante acessíveis. O transporte público é adaptado, sejam os Ónibus ou trens. JÔ rampa de acesso no comércio e banheiros acessíveis, varia", comentou.

MACHISMO: A brasileira afirma que o machismo na SuƭƧa acontece de forma velada. "Embora nĆ£o pareƧa os suƭƧos sĆ£o muito conservadores. As mulheres costumam parar de trabalhar quando tĆŖm filhos e quando voltam trabalham meio expediente. Ɖ incrĆ­vel, mas as mulheres só conseguiram direito ao voto na SuƭƧa em em 1971! Em Genebra isso nĆ£o se nota muito por ser sede de muitas organizaƧƵes internacionais,porĆ©m, outras cidades sĆ£o mais conservadoras", relatou.

PRECONCEITOS: Segundo Patrícia preconceitos como homofobia e racismo nas cidades grandes não é tão notado, mas certamente ele existe. JÔ com relação ao imigrante ela afirma que eles tem uma "função social". "Os estrangeiros são vistos como úteis, jÔ que a população suíça estÔ envelhecendo e muitos jovens deixam o país. Imigrantes indocumentados prestam serviços que os suíços não querem como limpeza, cuidados com crianças e idosos", informou.

P.S. Em junho teremos uma nova entrevista com a Patricia aqui no site. Ela irÔ falar sobre a GADIM (Aliança Global para Inclusão das Pessoas com Deficiência na Mídia e Entretenimento). Aguarde! Enquanto isso, se você quiser conhecer um pouco mais da GADIM entre no site aqui.


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Foto Leonardo Spagiani Paduan
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