AS CASAS DO NERUDA


Em 12 de julho de 1904, em Parral no Chile, nasceu Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto. Porém, provavelmente você não deve conhece-lo por este nome, já que ao longo da sua vida todos o chamavam de Pablo Neruda. O pseudônimo foi escolhido pelo chileno para homenagear Jan Neruda, um escritor tcheco. Pablo Neruda foi um dos maiores poetas do século XX, reconhecido pelo mundo todo. Além de mestre na literatura, o chileno também foi diplomata.

O envolvimento de Neruda com a política no governo de Salvador Allende, causou problemas ao poeta, que foi perseguido pelo grupo que apoiava o ditador Augusto Pinochet. Poucos dias, após o golpe militar que levou Pinochet ao poder, Neruda acabou morrendo. É verdade, que o poeta já estava doente, mas há quem diga que ele foi assassinado por uma injeção letal aplicada no hospital, onde ele se recuperava de um câncer de próstata.


#Pracegover: Foto Estátua com Busto de Pablo Neruda. Na base escrito nome do poeta, com ano de nascimento (1904) e de morte (1973). Atrás da estátua um grafite no muro bem colorido, representando uma mata, várias árvores e alguns passáros no desenho.

AS CASAS DE NERUDA:

Além de um legado inestimável para literatura, Pablo Neruda também deixou 3 casas no Chile, que se transformaram em museus e hoje estão abertas a visitação dos admiradores do poeta. Elas são conhecidas como: La Chascona, La Sebastiana e a Casa de Isla Negra. Em todas elas o tour é feito por meio de audioguias e não são permitidas fotografias nas partes internas, só nos jardins. Ou no máximo das janelas para fora. Vamos conhecer um pouco mais das casas do poeta.

LA CHASCONA

A Casa de Santiago de Pablo Neruda. O poeta começo a construir a casa em 1953, para Matilde Urrutia, que era na época sua amante. A casa foi batizada de “La Chascona”, que era como o poeta chamava Matilde. O espaço foi usado para ele ter encontros secretos com sua amante na época. Em fevereiro de 1955, Neruda se separa de sua atual esposa Delia del Carril e passa a viver na casa com Matilde, que viria a tornar-se sua esposa, com quem viveu até sua morte.

La Chascona foi construída em 3 partes, sendo todas elas unidas por escadas e jardins. O projeto inicialmente foi realizado pelo arquiteto Germán Rodríguez Arias. Mas, as últimas intervenções na casa foram feitas pelo arquiteto Carlos Martner. Porém, a Chascona sofreu atos de vandalismos pelos apoiadores de Pinochet, poucos dias após a derrubada do governo de Allende. O velório de Neruda, que morreu dias após a tomada do poder pelo ditador, aconteceu na casa e milhares de chilenos tomaram as ruas na proximidade do local.

Anos depois, Matilde dedicou-se a reconstrução da casa, até sua morte que aconteceu na década de 80. Posteriormente, La Chascona tornou-se além de museu a sede da Fundação Pablo Neruda.


#Pracegover: Foto de um pedaço da casa de Neruda. Lado esquerdo superior um pedaço da Casa pintada de azul com madeira. Lado direito muro pintado de amarelo. Com uma janela (pela janela é possível ver algumas jarras e objetos de vidro). Ao lado da janela uma porta de vidro.

MINHA EXPERIÊNCIA:

La Chascona foi a primeira casa que visitei de Pablo Neruda. O primeiro ponto tem um vídeo para ver sobre a Fundação Pablo Neruda e a La Chascona. Vale a pena assistir o filme inteiro. É uma boa contextualização da vida do poeta, é possível começar a entender um pouco mais de Neruda. A Chascona em si é uma casa bem pitoresca, com muitos objetos pessoais do chileno.

Logo nas primeiras salas e partes da casa já é possível descobrir alguns gostos do poeta, como os ligados ao mar e a navios, bem como pela reunião de amigos e os bares. É uma pena não poder fotografar o lugar, pois muitos objetos e decorações são bem diferentes. O audioguia é muito bom e bem fácil de manejar. A dica é faça o tour com calma, pois o lugar merece um bom tempo para observar os detalhes para que você possa mergulhar na vida e obra do autor.


#Pracegover: Homem sentado em uma mureta de pedra no centro da Foto. Atrás uma parede pintada de amarelo, com uma porta de vidro. Canto esquerdo uma pequena planta verde.

ACESSIBILIDADE: Infelizmente, pela disposição de casa, cheia de escadas, degraus e etc, o museu é nada acessível. Também faltam pisos táteis. Como a visita só apresenta a opção de áudio, falta instrumentos para atender pessoas com deficiência auditiva.

COMO CHEGAR?

La Chascona está localizado no bairro de BelaVista. Normalmente, se você for para Santiago apenas por turismo ficará hospedado na região do Centro da cidade próxima ao Palácio da Moneda e Plaza de Armas. Dessa região é possível ir a pé até La Chascona, são cerca de 2km, com parques e museus e outras atrações no meio do caminho. Ou seja, não precisa ir direto e fazendo pausas tranquilamente. Inclusive existem Free walking tours, que saem da Plaza de Armas e fazem um roteiro que chega no Cerro San Cristobal, que é bem próximo a Casa do Neruda.

De transporte público, a melhor opção é pegar o metrô e parar na Estação Baquedano. Mesmo assim, ainda são uns 5 quarteirões até o local. Também existem ônibus turístico que fazem o percurso parando nas principais atrações da cidade. Estes ônibus param bem próximo da Chascona.


#Pracegover: Mapa de um pedaço de Santiago. Identificando a localização de La Chascona

O QUE VER POR PERTO?

O Museu está do lado do Cerro San Cristobal. Você pode aproveitar e pegar o "bondinho/elevador" chamado de Furnicular e subir o morro. Próximo também está o Pátio Bellavista, um complexo que reúne restaurantes, pubs e lojas. Mas, prepare o bolso, o lugar é caro.

LA SEBASTIANA

Cansado da vida em Santiago, no final dos anos 50, Neruda decidiu comprar uma casa em Valparaíso, no litoral chileno, para assim poder passar tempos fora da capital chilena. E assim, ele comprou e fez algumas transformações na casa que chamou de "La Sebastiana" sua casa que fica no morro da cidade litorânea. Para sua nova casa, ele fez um poema, o qual dizia "Yo establecí la casa. / La hice primero de aire. / Luego subí en el aire la bandera / y la dejé colgada/ del firmamento, de la estrella, de / la claridad y de la oscuridad…”

Assim, como sua casa de Santiago, La Sebastiana também sofreu vandalismo dos apoiadores de Pinochet. Mas, também foi reconstruída e agora possui um grande acervo com objetos pessoais do poeta. Na casa estão preservadas coleções de mapas antigos, de pinturas marinhas e outras, entre elas um retrato de Lorde Cochrane e uma pintura a óleo que mostra José Miguel Carrera pouco antes de ser baleado. Há muitas outras relíquias portuárias e peças curiosas, como caixas de música e um velho cavalo de carrossel esculpido em madeira.


#Pracegover: Foto de uma parte da Fachada da casa La Sebastiana. No canto direito uma árvore quase sem folhas. Atrás o prédio de 4 andares. Com várias janelas pintado em faixas branca e vermelha na horizontal.

Neruda gostava de passar os finais de ano em La Sebastiana da vista privilegiada que tinha dos shows pirotécnicos que aconteciam no porto de Valparaíso na celebração do Reveillon. A casa é repleta de janelas panorâmicas, assim sendo o poeta podia observar todo o litoral.


#Pracegover: Foto da vista da Janela de La Sebastiana. Ao fundo mar. Céu azul com poucas nuvens. Em primeiro plano algumas casas e alguns prédios próximos a orla.

MINHA VISITA:

Particularmente, gostei mais da Sebastiana do que La Chascona. Talvez, porque já estava mais por dentro da história do Neruda, e ele já parecia mais familiar. Porém, acho que o fator mais marcante é justamente a vista pro Pacífico. O poeta era fascinado por tudo que envolve o mar e navegações. Então, olhar pela janela da casa para o oceano, faz imaginar que aquela vista inspirou muitos poemas de Neruda. Dá para entender tamanha inspiração.

Além disto, os objetos são tão peculiares e pitorescos como da sua outra casa. O que mais chamou atenção foi uma poltrona, que o poeta deu o nome de "Nuvem", que ele posicionava na frente de uma das janelas. Assim, ele ficava lá olhando para o horizonte e escrevendo suas poesias. É aquela poltrona tem história e poesia. Visitar La Sebastiana é desnudar um pouco mais da alma do poeta chileno e dialogar com a história dele.


#Pracegover: Foto jardim de La Sebastiana. Em primeiro plano um banco. No canto esquerdo homem sentado de lado olhando para frente. No canto direito o banco tem a silhueta de Neruda. Atrás

ACESSIBILIDADE: Infelizmente, La Sebastiana não é nada acessível. Tem muitas escadas, degraus e desníveis. Além de ser espaços apertados que inviabilizam a visitação adequada de pessoas com mobilidade reduzida. Também faltam acessórios e adaptações para contemplar pessoas com deficiência visual e auditiva.

COMO CHEGAR?

Em Valparaíso, tem o sistema de táxis coletivos que são bem baratos e podem ser uma opção. Caso, esteja em Santiago tem alguns tours para a cidade litorânea que passam no Museu. Do centro da cidade ir para La Sebastiana a pé, pode não ser uma boa opção, já que a casa fica na parte de cima de um morro. Eu fiz isso. Porém, é bastante cansativo. Embora, como as ruas de Valparaíso são cheias de grafites e bem coloridas é até bonita a caminhada.


O QUE VER POR PERTO?

A Plaza de Los Poetas. Uma pequena praça com esculturas de poetas chilenos, entre eles Neruda. E o Museu a céu aberto que são as galerias de artes feitas pelas ruas sinuosas do morro BellaVista em Valparaíso.

A CASA DE ISLA NEGRA

A Casa de Isla Negra é a única que não recebeu um apelido. Porém, é considerada por muitos a casa favorita do poeta, inclusive ele em seu poema "Disposiciones" deixou claro que gostaria de ser enterrado lá. “Compañeros, enterradme en Isla Negra, / frente al mar que conozco, a cada área rugosa de piedras/ y de olas que mis ojos perdidos/ no volverán a ver…”

Neruda teve seu desejo realizado, depois de muito tempo da sua morte. Primeiramente, o poeta foi enterrado no Cemitério Geral de Santiago, em uma pequena cerimônia no início do período da ditadura chilena. Os restos mortais dele permaneceram na capital chilena até 1992, pouco tempo depois do encerramento do período do governo do ditador Pinochet. Assim, então presidente Patricio Aylwin organizou um funeral e ordenou sua transferência a Isla Negra. Hoje seus restos mortais permanecem nos jardins de sua Casa, ao lado de sua esposa Matilde.

Infelizmente, nesta casa não consegui visitar durante minha estadia no Chile. Portanto, não posso opinar. Porém, muitas pessoas dizem que é a casa mais interessante para conhecer. Até mesmo porque foi ali que o poeta escreveu um dos seus famosos poemas que diz: “El océano Pacífico se salía del mapa. No había dónde ponerlo. Era tan grande, desordenado y azul que no cabía en ninguna parte. Por eso lo dejaron frente a mi ventana”.


#Pracegover: Foto Casa de Isla Negra Neruda (Fonte: Google Maps). No lado direito uma armação de madeiras em formato de meia estrela. Com sinos pendurados. No lado direito pedaço da fachada da casa de Isla Negra. Casa de madeira pintada de azul. Ao fundo vista para o mar e céu bem acinzentado região cheia de neblina.

INFORMAÇÕES ÚTEIS:

Todas as casas tem os mesmos modos de funcionamento com relação a horário e preços.

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO: Março a Dezembro - terça a domingo das 10h às 18h. Janeiro e Fevereiro das 10h às 19h. Segunda-feira fechado.

PREÇO: Entrada general: $7.000 pesos chilenos por pessoa. Estudantes tem desconto.

AUDIOGUIAS: Estão incluídos no valor do ingresso. Possuem opções em várias línguas, entre elas: espanhol, inglês e português.

PARA SABER MAIS: Entre no site da Fundação Pablo Neruda (aqui)

#Chile #AméricadoSul #museus

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