TOUR PELA DINAMARCA


**Sugestão: Ouça Playlist no Spotify da Dinamarca

A Dinamarca é um pequeno reino europeu e o menor dos países nórdicos. O país é formado por uma península, por uma península, a Jutlândia, e uma infinidade de pequenas ilhas, além disto conta com belos castelos e palácios, e paisagens encantadoras. Vamos explorar um pouco mais deste país nórdico?


#Pracegover: Foto Copenhague. Foto início da noite. Céu já escuro. No lado esquerdo vários prédios baixos de 2 ou 3 andares, coloridos. Pessoas caminhando na esquerda na calçada.

A DINAMARCA DA MARCELE

Para conhecer mais do país nórdico, conversamos com Marcele Rask, uma brasileira que é casada com um dinamarquês e trabalha em Copenhague. Apesar de trabalhar na Dinamarca, nossa entrevistada mora próximo a cidade de Malmö na Suécia. "Eu moro no sul da Suécia desde 2011. Essa região – sul da Suécia e da grande Copenhague – faz parte de um projeto de parceria e desenvolvimento de ambos os países. Com o advento da Ponte de Øresund, a mobilidade entre Dinamarca e Suécia foi facilitada. Por conta disto, além de ser casada com um dinamarquês e trabalhar no país, minha relação com a Dinamarca é bem próxima. A primeira vez que vim para cá foi em fevereiro 2009, e desde então me apaixonei pelo local, cultural e pessoas", comentou.


#Pracegover: Foto do mar. Ao lado esquerdo ponte. Tanto mar quanto a ponte somem no horizonte. Céu azul com poucas nuvens. No canto esquerdo possível ver reflexo do sol na água.

PQ A DINAMARCA?

Perguntei a Marcele as razões que levarão a mudar para a região. Categoricamente, ela confirmou que dois fatores foram preponderantes para sua escolha: marido e profissão. "Quando conheci o meu marido, eu já estava em conversação com a Universidade de Lund, na Suécia, para a realização de pesquisa e especialização em Direitos Humanos. Ao sair a vaga para o mestrado, eu solicitei afastamento do meu cargo no Brasil e vim para cá. A priori por prazo determinado, mas uma coisa leva a outra, e por aqui ainda estou. No momento, não pretendo retornar ao Brasil, mas não é uma porta vedada", concluiu.


#Pracegover: Foto Marcele. Foto do Rosto de uma mulher, dentro de um carro. Mulher de olhos castanhos e cabelo castanho escuro.

EXPECTATIVA X REALIDADE:

Em certas ocasiões, antes de viajarmos idealizamos, ou construímos a imagem do nosso destino. Nem sempre o que imaginamos é igual na realidade. No caso da Marcele, ela afirma não ter criado muitas expectativas, pois ela se define como uma pessoa muito realista. "Gosto de planejar, testar, experimentar, analisar. Antes de vir para cá, eu procurei ler muito sobre ambos os países (Suécia e Dinamarca). Estudar sobre a cultura, a língua, o povo. Para mim que vivo entre dois países tão parecidos e tão distantes ao mesmo tempo, esta imersão foi, e é, muito importante. Manter a mente aberta a tudo. Cultura não se compara. Se entende, se analisa! Só assim para não ficarmos frustrados a todo o tempo. Contudo se tiver que apontar algo que tenha me chocado bastante, foi certamente a falta de variedade nos mercados e lojas locais. De modo geral, os supermercados dinamarqueses possuem uma menor variedade de produtos. Mas, atualmente essa realidade está mudando! Já é possível achar feijão pretos nos principais mercados!", explicou.

CIDADES DINAMARQUESAS:

Durante o quase 7 anos que vive na Suécia, a brasileira já viajou muito pela Dinamarca. "De norte a sul, leste a oeste, conheço quase todos os principais pontos. Uma das coisas mais fascinantes da Dinamarca – e acredito que em outros países também – é como cada lugar é diferente do outro. Não há um lugar que eu tenho gostado mais que o outro, para mim todos são especiais e ricos em sua essência", comentou.

"Copenhague, a capital, é certamente a maior referência quando se fala em Dinamarca. Sem dúvidas é uma cidade belíssima e cheia de encantos. Se você tiver tempo para conhecer apenas a capital, você não pode deixar de visitar os seguintes pontos: Estátua da Pequena Sereia, O Palácio Amalienborg, Nyhavn, Tivoli. Além de fazer passeio de barco pelos canais", complementou Marcele.


#Pracegover Foto Pequena Sereia. Em primeiro plano uma estátua de uma sereia sentada em cima de uma pedra. Ao fundo mar e do outro lado, casas na margem e um navio ancorado.

Porém, a brasileira afirma que é interessante destinar mais tempo para conhecer o país. "Mas você não conhece a Dinamarca nem os dinamarqueses se nunca visitou lugares como, Århus, Bilund, Ribe, Sønderborg, Ålborg, Helsingør, Odense, Fredericia, Esjenberg e Skagen", afirmou.

Veja o que a Marcele falou sobre cada uma das cidades citadas:

- Århus. "É a segunda maior cidade da Dinamarca, por sua arquitetura antiga e moderna. Uma população relativamente jovem e cheia de vida, é uma pequena-grande cidade, onde você encontra pessoas de vários lugares, mas ao mesmo tempo mantém aquele ar de interior"

- Ålborg. "cidade ao norte de Århus. A cidade tem crescido muito nos últimos anos, com incentivo do governo e de empresas privadas. Tem um grande polo tecnológico e uma indústria de games cada vez mais forte. Além de ser um lugar belíssimo."

- Billund. "Cidade do Brinquedo Lego. A cidade está toda voltada para as crianças, e recentemente recebeu o título de a “Capital das Crianças”. Eu acredito que seja verdade, porque ali há crianças de todas as idades. Não tem quem ali chegue que não se sinta inspirado. Me casei em Billund e os meus convidados estavam fascinados com o Lego e o seu Parque! Foi certamente o grande hit de toda a celebração!


#Pracegover: Foto da entrada do parque Legoland em Billund. Várias pessoas na fila na entrada do Parque.

- Fredericia – "Cidade portuária belíssima. Ali está situado um dos portos mais movimentos da região, onde chegam mercadorias do mundo todo, inclusive do Brasil. Na mesma região, eu recomendaria passar por Kolding, Vejlej e Middelfart! Vale a pena".

- Esbjerg – "importante cidade portuária a oeste do país. É uma região petrolífera e de pesca. Dali saí todo o suporte das grandes empresas de extração de petróleo, como Shell, Total, Dong and Mærsk. Eles utilizam Esbjerg como o seu ponto de conexão em terras dinamarquesas."

- Ribe. "Cidadezinha histórica que preserva ainda muito da Era Viking. Cheia de ricos museus e pequenos cafés. É uma verdadeira viagem no tempo."


#Pracegover: Foto da lateral de uma igreja em Ribe

- Sønderborg: "Para mim o lugar onde os dinamarqueses são mais engraçados e parecidos com os latinos. Essa cidade fica ao sul da Dinamarca, próximo a borda com a Alemanha. As pessoas são carismáticas, engraçadas e cheias de historias para contar. Por ali estive várias vezes a passeio, visitando amigos, e fazendo outros. É um local que vale muito a pena conhecer, e se perceber o quão os dinamarqueses conseguem ser contrastantes. Nem todos são as figuras fechadas e sisudas que aparentam ser."

- Skagen. "Lá é onde o mar do Norte e o mar Báltico se unem. É como o nosso encontro das águas no Amazonas, uma experiência fantástica e inesquecível."

- Helsingør. "Cidade famosa pelo castelo de “Hamlet”. O castelo de Kronborg serviu de inspiração para Shakespeare, ao escrever sobre o famoso príncipe dinamarquês e desventuras. Mas o que muitos não sabem é que o Castelo tem um significado ainda maior para as relações entre a Dinamarca e Suécia, por ser o local de maior proximidade física entre os dois países. Volte quinhentos, mil anos na história e você certamente entenderá o porquê. Na mesma região não deixe de visitar: Frederikssund, Roskilde, Nykøbing S, Ringsted, Sorø, Skælskør, Nykøbing Falster, Lolland, e muitas outras!!


#Pracegover: Entrada do "Castelo de Hamlet". No centro ponte, ao fundo fachada da entrada do Castelo. Nas laterais água de rio. Céu azul sem nuvens na parte superior.

- Odense. " O.K. eu disse que não tenho um local preferido, e continuo não tendo. Mas, Odense é, certamente, uma das cidades mais charmosas que há por aqui. Odense é a cidade do querido Hans Christian Andersen! Sua obra fez parte da nossa infância, quem não lembra do Patinho feio? Pequena Sereia? A Princesa e a Ervilha? E até mesmo Frozen? Em Odense, você precisa visitar a sua casa e o seu museu!!! Na mesma região, recomendo ainda Svenborg, Nordskov, Nyborg."


#Pracegover: Foto interna do Museu Hans Cristian Andersen. Parede com várias pinturas. No centro homem de costas observando as pinturas na parede. Foto: Visit Odense

COSTUMES:

Sobre os costumes, nossa amiga brasileira não titubeou e apontou a pontualidade como algo característico do país. "Os dinamarqueses, como todo bom escandinavo, são extremamente pontuais. Eu diria que mais pontuais que os britânicos. A regra aqui é a seguinte: chegue 15 minutos antes! Chegar no horário “cravado” é sinal de atraso. É sem dúvida o costume que mais me agrada porque demonstra o quão eu não sou nem melhor nem pior que ninguém. Pelo simples fato de que, o meu tempo é tão importante quanto o da outra pessoa. Mas, confesso, foi um desafio no começo. Levei um tempo para me acostumar, não pelo ser pontual, mas pela ideia de que não poderia vacilar. O velho estigma do “mañana, mañana” que o latino carrega", afirmou.

Outra diferença que Marcele apontou é que o povo dinamarquês apesar de ser bem alegre e receptivo é mais direto também. "O dinamarquês é direto no falar, eles não passam muito a mão na cabeça ou pretende sentir aquilo que não sente. E não espere ser recebido de braços aberto, ao chegar sem ser convidado às 20h na casa de um dinamarquês, ele provavelmente não vai te convidar para entrar em sua casa. Só se você estiver morrendo ...! No Brasil, a gente se sente forçado a fazer sala, enquanto mentaliza uma vassoura atrás da porta para ver se a pessoa se manca que está na hora da novela e vá se embora. (Quem nunca?) Então, temos que ter cuidado e paciência", comentou.

LÍNGUA:

De acordo com Marcele, nem todos no país falam inglês, contudo a maioria tem domínio da língua. Além disto, ela comentou que sempre que possível busca aperfeiçoar o seu dinamarquês. "O estrangeiro que tem domínio da língua inglesa certamente se sentirá em casa, fica mais acolhedor. Desde que ele more nos grandes centros! Mas é uma barreira, porque gera preguiça em aprender a língua local. Muitos dizem que se vive bem só com o inglês, eu diria que depende. Depende do que você deseja. Nesse caso, se você deseja fazer parte dessa terra, fazer parte desse meio, o idioma é a primeira barreira a quebrar. Na maioria das vezes me comunico em dinamarquês, procuro fazer tudo no idioma local. Nem sempre é fácil. Mas procuro deixar o inglês para quando realmente não tiver jeito. Só assim para aprender", concluiu.

GASTRONONOMIA:

Sobre as comidas típicas locais, Marcele recomendou experimentar os seguintes pratos:

  • smørrebrød - pratos frios feitos com uma fatia de pão de forma escuro, denominado rugbrød, coberta com diversos tipos de recheios, tais como saladas, frango, atum, pasta de fígado, rodelas de tomate ou carne de bovino, entre outros.

  • pølser - salsichas.

  • flæskesteg - Consiste de carne de porco assada com toucinho e pele. A carne é assada com água, sal e louro, até que a pele fique estaladiça.

  • wienerbrød - Doce de pastelaria. Os seus ingredientes incluem farinha, fermento, leite, ovos e uma quantidade abundante de manteiga

  • rødgrød med flød - Os ingredientes principais desse doce são frutas vermelhas como groselhas, framboesas, morangos, amoras, mirtilos e cerejas pretas sem caroço.

  • Bebidas: as cervejas locais não devem faltar, e claro, os ​brændevin, uma espécie de cachaça de batata.

DICAS DA MARCELE

  • Regra básica de viagem para mim é: consulte sempre a legislação de migração e circulação do país que você visitará. Se informe sobre os documentos necessários e as providências legais necessárias. É sempre bom pesquisar sobre a região, a época da viagem para ter certeza do que carregar na mala.

  • Verão ou inverno, traga sempre umas roupas mais quentinhas. Aqui mesmo no verão, as temperaturas costumam ser frias.

  • A moeda é a coroa dinamarquesa, mas quase todo estabelecimento aceita euro.

ESTRUTURA TURÍSTICA:

A brasileira aconselhou aqueles que desejam conhecer o interior da Dinamarca a visitar o país no Verão, pois tem melhor estrutura nesta estação. "Se falarmos das grandes cidades, qualquer época do ano a estrutura é excelente. Se estivermos falando das cidades menores, pegar o carro ou trem e sair por aí correndo o país, não. Em geral, a época melhor para turismo é no verão, época de férias por aqui e todo o país está vivendo aquele clima bem gostoso de diversão. Já no inverno, em pequenas cidades, por exemplo, pequenas pousadas fecham durante o inverno",sugeriu.

QUESTÕES SOCIAIS:

Para finalizar nosso papo com a Marcele, vamos falar agora sobre algumas questões sociais. Veja a opinião dela sobre como algumas questões são tratadas na Dinamarca.

ACESSIBILIDADE:

Na visão da Marcele, em algumas partes da Dinamarca a acessibilidade é garantida as pessoas com deficiência, porém em outras não. "As grandes cidades, como Copenhague, Århus, Odense, entre outras possuem melhores estruturas de acessibilidade. Mas, vale lembrar que a Dinamarca é um país muito antigo. Então a parte mais antiga da cidade apresenta um maior desafio para quem tem alguma necessidade especial; principalmente, os usuários de cadeiras de rodas. As cidades menores podem apresentar algum desafio. Mas, no geral, o país tem um bom padrão de acessibilidade."

HOMENS X MULHERES

Marcele afirmou que a sociedade dinamarquesa, de um modo geral, é bem igualitária. "As mulheres e homens são tratados de forma igual. As mulheres andam como desejam, a hora que desejam, possuem uma relação de parceria com os seus companheiros. Mas, isso vem da própria cultura dinamarquesa, eles são criados e ensinados a cuidarem de si mesmos desde pequenos: fazer a cama, comida, pregar botões, lavar roupas e etc. Questões como: homem que lava a louça é feminino, ou cuidar dos filhos e da casa é coisa de mulher... são questões/ situações raramente debatidas por aqui. É algo como, por exemplo, afirmar que o céu é azul!", explicou.

HOMOFOBIA

A brasileira aponta que a homofobia existe no país, porém de uma forma velada. "A diferença é que o dinamarquês é um povo que preserva a sua individualidade, logo ele também preserva a do outro. Não quer dizer que goste, que aceite e que não comente, mas que ele possui um índice de tolerância maior", deduz.

RACISMO

Este parece ser o ponto fraco do país. "Infelizmente, racismo e discriminação são bem altos por aqui. Numa simples busca nas comissões da ONU ou tribunais de direitos humanos internacionais,se verifica a quantidade de processos contra o país. São casos e mais casos. Um verdadeiro caso a ser tratado na sociedade local.", destacou Marcele.

RELAÇÃO COM OS MIGRANTES

"Como em todos os países do mundo, inclusive no Brasil, na Dinamarca também há preconceito e discriminação, e eles fazem parte de toda a estrutura da sociedade. A diferença que aqui o preconceito acontece em relação ao outro, geralmente o migrante; ao contrário do Brasil, onde o maior preconceito existe entre as estruturas de classes. Em suma, a Dinamarca é um país como outro qualquer, cheio de defeitos e qualidades. Mas, isso tudo depende do seu olhar. Algo muito comum aqui, é a questão do choque cultural. Os dinamarqueses preservam muito a sua cultura – com unhas e dentes – e eles não gostam, e com razão, de altera-la por causa de A ou de B.", explicou.

A brasileira pontua que esta defesa da cultura própria tem uma origem histórica. " Vamos analisar a situação do país: Até a segunda guerra mundial, o território dinamarquês mudava constantemente. Aumentava, diminuía. Com guerras: o povo sofre, passa fome, frio e necessidade. O país precisou se reerguer inúmeras vezes, para isso tiveram que se unir ao ponto de serem quase impenetráveis, ou mais fortes. Mesmo, assim é importante entender que o dinamarquês em si não é um povo fechado, eles são alegres, divertidos e recepcionam bem a cultura alheia, mas do jeito deles e desde que essa cultura, não influencie em suas regras! O que acontece é que muitas ações ou comportamentos ditos como preconceituosos ou discriminatórios, as vezes, são apenas um mau entendido.

#Dinamarca #Europa

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